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    2019-05-15

    Assim, pensamos que os discursos, analisados neste artigo, construídos pelos intelectuais colaboradores de Araucaria de Chile e difundidos pela revista, ao ressaltarem duas vitoriosas revoluções armadas latino-americanas, exatamente no período de vigência da prpm, dialogaram, de alguma maneira, com chemicals the full details nova posição tomada pelo pcch em relação à oposição ao governo do general Pinochet. Apesar de a revista não ter sido um periódico oficial do partido comunista chileno, não tendo acompanhado, nesse sentido, toda sua evolução ideológica e suas tomadas de chemicals the full details posição –acreditamos, inclusive, que em muitos momentos, pela gama variada de intelectuais que nela escreveram, que Araucaria tenha seguido uma perspectiva política de esquerda mais heterogênea–, pelo menos no que tange ao recorte temático estabelecido para este trabalho, as linhas políticas de intelectuais colaboradores e partido entrecruzaram-se. Concluímos, dessa maneira, para usar expressões propostas por Regina Crespo, que a Araucaria de Chile foi, a um só tempo, uma re-vista “baluarte cultural”, já que publicou trabalhos literários e artísticos diversos, e, em dados momentos, porta-voz de um projeto coletivo de determinado partido, o pcch, ainda que de uma maneira não sistemática e oficiosa. Torna-se importante que façamos uma ressalva no sentido de perceber que Araucaria de Chile foi uma revista produzida sob a condição do exílio, durante a ditadura pinochetista, e que, portanto, embora tenha divulgado, ainda que indiretamente, projetos políticos dentro das esquerdas, sobretudo de acordo com a cultura política comunista, posicionou-se, fundamentalmente e anterior a qualquer defesa de um projeto específico, como um impresso importante de resistência política. Categoricamente, podemos afirmar que o que uniu todos os intelectuais colaboradores de Araucaria de Chile não foram as diretrizes políticas do pcch –visto que talvez a minoria se identificasse integralmente com elas–, mas, sim, o exílio e o interesse no restabelecimento da democracia no Chile e, por extensão, nos demais países do Cone Sul submetidos às ditaduras militares. Feita a ressalva, acreditamos, por fim, que, do ponto de vista do pensamento político dos intelectuais que publicaram em Araucaria de Chile e que foram aqui analisados, em consonância com o pensamento do pcch, as experiências revolucionárias cubana e sandinista tenham servido de modelo recente e próximo –na perspectiva temporal e das condições políticas, guardados os respectivos contextos– para os países latino-americanos que viviam sob governos militares autoritários, como o Chile de Pinochet. Modelo, aqui, no sentido de ser possível a mobilização popular e a realização de transformações sociais e políticas de modo a alcançar maior justiça social e, fundamentalmente, a democracia. Em Araucaria de Chile, o posicionamento favorável aos movimentos revolucionários de esquerda, bem como a oposição às ditaduras militares por parte de colaboradores como Julio Cortázar, Mario Benedetti e Eduardo Galeano, por exemplo, certamente se inseriu em um contexto de Guerra Fria e de forte engajamento dos intelectuais latino-americanos, impulsionando-os para a cena pública, de modo que a intervenção nos assuntos políticos tornou-se praticamente inevitável. Para o caso específico dos chilenos, como apontou Rolando Álvarez Vallejos, a Nicarágua dos sandinistas consistiu em um efetivo exemplo para os comunistas no que diz respeito à possibilidade e esperança de adesão espontânea de jovens militantes no movimento de radicalização política contra Pinochet. Podemos lembrar também, ainda de acordo com Vallejos, que muitos militantes comunistas chilenos tiveram formação militar em Cuba, atuando muitos deles, posteriormente, no processo revolucionário nicaraguense. Com base nessas informações, é possível afirmar que as experiências revolucionárias cubana e sandinista serviram, de fato, de inspiração para as teses militaristas desenvolvidas no interior do pcch, corroborando nossa hipótese de que a veiculação, sobretudo ao longo da década de 1980, de representações positivas acerca das revoluções armadas em Cuba e na Nicarágua, pela revista Araucaria de Chile, não se consumou por mera casualidade, dialogando diretamente com a postura combativa insurrecional do partido que a financiava e do qual eram integrantes influentes seu diretor e seu principal editor, respectivamente, Volodia Teitelboim e Carlos Orellana.